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'A esperança é a única alternativa': Leonardo Boff e Cissa Guimarães emocionam público na FLA Araru

Mediado pela jornalista Leilane Neubarth, encontro discutiu empatia, solidariedade, fé e os caminhos para transformar a sociedade

por Cláudia Almeida Publicado em 16/08/2026 às 18:41 21 Visualizações

A tenda principal da Feira Literária de Araruama (FLA Araru) 2026, ficou completamente lotada neste domingo (16), na Praça Antônio Raposo, para um encontro que uniu reflexão, emoção e diálogo sobre os desafios do mundo contemporâneo. 

O teólogo e escritor Leonardo Boff e a atriz e apresentadora Cissa Guimarães debateram “O cuidado que transforma: empatia, solidariedade e esperança diante das crises ambientais e sociais”. A conversa foi mediada pela jornalista Leilane Neubarth.

Ao longo do encontro literário, Leilane conduziu perguntas e provocações que levaram os convidados a refletir sobre a capacidade humana de enfrentar crises sem perder a esperança. O público acompanhou atentamente cada fala.


Logo no início da conversa, Leonardo Boff destacou que, diante de um cenário marcado por crises sociais, ambientais e humanitárias, a esperança não pode ser abandonada. Para o teólogo, ela é uma força que precisa ser cultivada e transformada em ação.

“A esperança é a única alternativa que temos. Precisamos manter a fé, o amor e, acima de tudo, não perder a esperança. Mas esperança não pode ser apenas uma espera. Ela precisa ser alimentada todos os dias.”

Boff também ressaltou que a esperança não significa fechar os olhos para aquilo que provoca indignação. Pelo contrário, segundo ele, reconhecer as injustiças e ter coragem para enfrentá-las são atitudes fundamentais para quem deseja transformar a realidade.

“A indignação e a coragem são irmãs da esperança. Quando nos indignamos diante daquilo que está errado, precisamos também encontrar coragem para agir.”

O teólogo falou ainda sobre a fé no ser humano e sobre como os acontecimentos do mundo colocam essa confiança à prova. Para ele, diante de situações como guerras, desigualdades e crianças vítimas da violência e da fome, é necessário recuperar a dimensão humana das relações.

“A nossa fé está sendo tentada. Quando vemos crianças morrendo e tantas pessoas sofrendo, somos colocados diante de uma pergunta muito profunda: ainda conseguimos acreditar no ser humano? É preciso resgatar essa dimensão humana, porque é ela que nos permite cuidar, ter compaixão e construir um mundo diferente.”

Em outro momento, Boff chamou atenção para algo que parece simples, mas que, segundo ele, se tornou cada vez mais raro nas relações humanas: a capacidade de prestar atenção verdadeiramente no outro.

“A atenção é uma forma rara de generosidade. Quando prestamos atenção ao outro, quando realmente escutamos e enxergamos quem está diante de nós, estamos dizendo que aquela pessoa importa. E isso é uma das formas mais profundas de cuidado.”


Esperança também é uma escolha diária

Cissa Guimarães trouxe para o debate uma perspectiva marcada pela experiência humana e afetiva. Para ela, a esperança está profundamente ligada à fé e precisa ser alimentada diariamente, inclusive nos momentos em que as circunstâncias parecem apontar para o contrário.

“A esperança caminha muito com a fé. E a gente precisa alimentar essa esperança todos os dias, porque não é possível viver apenas olhando para tudo aquilo que está dando errado. É preciso encontrar dentro da gente aquilo que ainda nos faz acreditar, continuar e fazer a nossa parte.”

A atriz também destacou que a transformação começa dentro de cada pessoa e passa pela maneira como enxergamos e tratamos aqueles que estão ao nosso redor. Para ela, não permitir que o outro se torne invisível é uma forma concreta de exercer empatia.

“A gente precisa trabalhar dentro da gente para alimentar a esperança. Não podemos invisibilizar o outro. Às vezes, o que alguém precisa é simplesmente ser visto, ser ouvido, ser reconhecido. E talvez a pergunta mais importante seja: ‘O que eu posso fazer para me tornar uma pessoa melhor?’”

A conversa também falou da importância do diálogo e da comunicação como ferramentas para aproximar pessoas e fortalecer uma cultura de solidariedade. 

Boff defendeu que romper as barreiras que impedem o encontro é uma maneira de fazer avançar relações mais humanas. “Quando conseguimos tirar as barreiras da comunicação, quando deixamos de olhar o outro como alguém distante e passamos a dialogar, conseguimos fazer avançar a cultura do bem.” 

Ao longo da palestra, Cissa e Boff reforçaram que esperança não significa ignorar as dificuldades, mas encontrar forças para enfrentá-las. Para Boff, a própria vida carrega uma capacidade de resistência que não pode ser subestimada. “A vida é mais forte que todas as ameaças contra ela.” 


Uma bênção para encerrar o encontro

O encontro terminou em um dos momentos mais emocionantes da programação. Diante da tenda lotada, Leonardo Boff fez uma bênção ao público e reforçou uma mensagem de amor, fé e esperança. O gesto encerrou uma tarde marcada pela reflexão sobre empatia, solidariedade, cuidado e responsabilidade coletiva.

A resposta veio em forma de aplausos. De pé, o público celebrou os convidados, encerrando um dos grandes momentos da programação da 5ª edição da FLA Araru, que transformou a Praça Antônio Raposo em espaço de encontro, literatura, pensamento e diálogo.

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