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Araruama inicia construção participativa do Plano Local de Ação Climática

Primeira oficina reuniu representantes do poder público e da comunidade para identificar riscos e vulnerabilidades do município diante das mudanças climáticas

por Luiz Felipe Rodrigues Publicado em 20/08/2026 às 19:00 85 Visualizações

A Prefeitura de Araruama iniciou, nesta quinta-feira (20), a construção participativa do Plano Local de Ação Climática (PLAC), documento que vai estabelecer estratégias de curto, médio e longo prazo para preparar o município para os impactos das mudanças climáticas. A primeira oficina de diagnóstico participativo reuniu representantes de diferentes setores da administração pública e contou com a participação da comunidade.

A atividade foi realizada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, dentro de um processo que envolve diferentes áreas da gestão municipal. A proposta é identificar os principais riscos e vulnerabilidades climáticas de Araruama, levando em consideração as características de cada região e as demandas apresentadas pela população.

Especialista em resiliência e mudança do clima do ONU-Habitat, Leta Vieira destacou que o início das oficinas representa uma etapa importante para a construção de uma estratégia de longo prazo para o município.

“A gente iniciou aqui em Araruama a primeira oficina para a construção do Plano Local de Ação Climática do município, uma estratégia de curto, médio e longo prazo, para contribuir para que a cidade seja mais resiliente aos impactos da mudança do clima”, afirmou.

Durante a oficina, os participantes trabalharam no levantamento de informações que vão contribuir para o diagnóstico de risco e vulnerabilidade climática. O analista técnico regional do ICLEI América do Sul, Matheus Cabral, explicou que a participação de diferentes setores é fundamental nessa etapa.

“É um momento muito importante porque vamos contar com a participação da comunidade e das secretarias nesse mapeamento do diagnóstico de risco e vulnerabilidade climática. É fundamental entender quais são as áreas mais críticas e vulneráveis diante dos fenômenos climáticos que serão analisados no município de Araruama”, destacou.


A construção do PLAC envolve uma atuação transversal da administração municipal. Para o superintendente de Meio Ambiente, Pedro Guimarães, compreender os impactos das mudanças climáticas exige a integração de diferentes áreas da gestão e a participação da população.

“Quando falamos em mudanças climáticas, entendemos que o município de Araruama é altamente afetado por essas mudanças. Por isso, é muito importante compreender a realidade da população e identificar os pontos nos quais precisamos estar mais focados. A oficina serve justamente para entendermos as principais dificuldades e realidades enfrentadas pela população e, a partir disso, realizarmos as mudanças necessárias para melhorar a qualidade do meio ambiente e da vida no município”, afirmou.

Pedro também ressaltou que a pauta climática não deve ser tratada exclusivamente pela área ambiental. Segundo ele, setores como Planejamento, Fazenda, Defesa Civil, Serviços Públicos, Obras e Saúde precisam atuar de maneira integrada para que as ações previstas no plano possam ser efetivamente implementadas.

“Quando falamos em meio ambiente, precisamos entender que o trabalho deve ser transversal. Todas as secretarias precisam estar envolvidas. Não adianta a gestão ambiental ter esse entendimento se outras áreas não estiverem alinhadas para elaborar projetos e viabilizar as ações. Quando falamos em mudança climática, precisamos integrar toda a gestão”, explicou.

A integração também é considerada estratégica para o trabalho da Defesa Civil. A superintendente da pasta, Sheila Mendes, destacou que o planejamento antecipado permite aprimorar a prevenção, a resposta e a recuperação diante de possíveis desastres.

“Para a Defesa Civil, todas essas oficinas são importantíssimas, não só para a Defesa Civil, mas também para todas as secretarias envolvidas no plano de contingência. Quando construímos um plano como esse, conseguimos aprender antecipadamente o que fazer, fortalecendo o trabalho de prevenção, resposta e recuperação após um desastre”, afirmou.

Outro aspecto abordado durante a oficina foi a necessidade de considerar tanto as áreas que ainda permanecem preservadas quanto aquelas que já sofreram processos de degradação. Para Pedro Guimarães, a agenda de sustentabilidade também deve incluir estratégias de recuperação ambiental.

“Quando falamos em sustentabilidade, não adianta pensarmos apenas nas áreas que ainda estão protegidas. Também precisamos olhar para as áreas que já foram degradadas e pensar na recuperação desses espaços”, destacou.

O secretário de Governo, Anderson Moura, ressaltou que o PLAC deverá dialogar com outros instrumentos de planejamento do município, especialmente diante da revisão do Plano Diretor, prevista para começar no próximo ano.

“Um plano como esse precisa estar alinhado ao Plano Diretor, que começa no ano que vem a sua revisão, aos nossos códigos e às nossas ações. É importante ver uma equipe intersetorial e transversal, porque esse é um tema que atinge todas as secretarias. O governo está envolvido e comprometido com o meio ambiente, a sustentabilidade e o Plano Local de Ação Climática”, afirmou.

A elaboração do PLAC dá continuidade ao trabalho desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente nos últimos meses. Em junho, servidores da pasta participaram do curso “Pensar o Planejamento Urbano Frente às Mudanças Climáticas”, promovido no âmbito do Projeto Adaptação, iniciativa coordenada pelo Ministério das Cidades e pelo Observatório das Metrópoles/IPPUR-UFRJ. A capacitação abordou temas relacionados ao planejamento urbano, adaptação, mitigação e participação social.

A partir das informações levantadas nas oficinas e do diagnóstico de riscos e vulnerabilidades, o município poderá avançar na definição de ações e estratégias para aumentar a capacidade de Araruama de se preparar e responder aos impactos das mudanças climáticas.

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