“É uma alegria imensa para mim estar aqui. Sei a importância da linguagem e de compartilhar a paixão pela leitura, esse lugar tão íntimo que só a literatura nos traz.” Foi falando sobre essa relação profunda com os livros que a atriz e escritora Leona Cavalli iniciou sua participação na FLA Araru, neste sábado (15), segundo dia da Feira Literária de Araruama.
Ela abriu a programação na Tenda Principal, compartilhou lembranças da infância e mostrou aos estudantes o papel da literatura em sua trajetória. “Eu amo literatura e sou atriz por causa dela”, ressaltou.
Filha de professores de Língua Portuguesa, Leona cresceu cercada pelos livros. Ela contou que, quando criança, costumava passar a hora do recreio na biblioteca, aproveitando o tempo para ler. A literatura, que esteve presente desde cedo em sua formação, hoje faz parte de sua vida tanto no trabalho como atriz quanto em sua trajetória como escritora.
“Unir a literatura à interpretação é onde consigo me entender plenamente; é por isso que sou atriz. Acredito muito que, através da linguagem, criamos novas possibilidades de existência no mundo, pois ela abre a consciência e os horizontes”, afirmou.

A participação na FLA Araru também ganhou uma dinâmica especial. Inicialmente, Leona faria o recital Elogio da Loucura, baseado na obra de Erasmo de Rotterdam, que atualmente integra sua turnê pelo país. Como o espetáculo é destinado a um público a partir de 16 anos, a atriz adaptou a atividade para a faixa etária da plateia, apresentando um trecho da obra e estabelecendo com os estudantes uma relação mais direta e participativa.
“Foi uma experiência inédita, porque eu nunca tinha feito dessa forma. Trouxe um recital e uma performance falando de teatro e literatura, mas os textos que trouxe não eram originalmente para crianças ou adolescentes. Isso me fez me reinventar ali na hora, ao vivo com eles, e os trouxe para participar”, contou.
A interação aproximou os estudantes dos textos e mostrou como literatura e teatro podem criar conexões com diferentes públicos. “Eles entenderam do jeito deles, se entregaram e participaram. Poder atuar para públicos tão diferentes é a prova de que a literatura e o teatro são eternos”, destacou a atriz.

Além de um trecho de Elogio da Loucura, Leona conversou com a plateia e compartilhou excertos de obras que marcaram diferentes momentos de sua carreira, entre elas A Valsa nº 6 e Toda Nudez Será Castigada, de Nelson Rodrigues.
Para a atriz, a experiência e a boa receptividade com o público mais jovem foi uma grata surpresa. “Eu adoro crianças. Inclusive, já fiz apresentações como palhaça em escolas e hospitais, então é algo de que gosto muito. Foi lindo ver que eles entraram na dinâmica, participaram e se entregaram”, afirmou.
Atriz prepara o terceiro livro
A relação de Leona com a literatura também se estende à escrita. A atriz é autora de dois livros: Caminho das Pedras: Reflexões de uma Atriz, em que aborda dificuldades e formas de superá-las a partir da criatividade, e As Aventuras da Bela Belinha, uma história infantil sobre uma personagem que busca compreender a si mesma por meio de suas aventuras.
Após a apresentação, ela tirou fotos com a plateia e deu uma entrevista, na qual revelou que está finalizando o terceiro livro: Palhaço Sagrado. A obra parte de sua experiência com o humor e a palhaçaria, mas também aborda a trajetória dos palhaços sagrados em diferentes partes do mundo.
“O palhaço fala verdades com alegria e arte, transformando-se constantemente sem um texto pré-definido. Acredito que é uma obra que vai interessar a muita gente, afinal, todos nós temos um palhaço sagrado dentro de nós. Caso contrário, não aguentaríamos viver”, contou dando um spoiler do novo trabalho.
