Aprender a ler e a escrever mudou muito mais do que o desempenho escolar de Manuel, de 10 anos, aluno da Escola Municipal Jerônimo Carlos do Nascimento. A alfabetização conquistada por meio do Programa Pró-Ler, da Prefeitura de Araruama, trouxe autonomia para as atividades do dia a dia, despertou o interesse pelos estudos e fortaleceu os laços entre a escola e a família, que passou a vivenciar de perto cada etapa desse processo.
Antes de ingressar no projeto, Manuel enfrentava dificuldades que iam além da sala de aula. A leitura era lenta e insegura, a escrita ainda não estava consolidada e conteúdos básicos, como a tabuada, representavam um grande desafio. Situações simples da rotina, como acompanhar a lista de compras feita pela mãe, tornavam-se difíceis por não conseguir compreender o que estava escrito.
Hoje, a realidade é outra graças ao programa aplicado pela Secretaria de Educação de Araruama em escolas do município. O estudante conta que o período no Pró-Ler marcou uma transformação em sua trajetória e abriu caminhos para novas descobertas.
"Antes do Pró-Ler eu lia gaguejando, muita coisa eu não sabia fazer. Nem tabuada eu sabia. Depois que eu entrei no Pró-Ler eu comecei a aprender, melhorei a escrita e fui fazendo as coisas direito. Sem o Pró-Ler eu não seria nada, porque consegui evoluir", relata Manuel.
Além do avanço na alfabetização, a aprendizagem passou a refletir diretamente na autonomia do estudante. As contas que antes eram feitas nos dedos hoje são resolvidas de cabeça. A leitura, antes limitada pela dificuldade de compreender as palavras, passou a fazer parte da rotina.
"Antes eu pegava um caderno e só via as imagens, porque eu não conseguia ler. Agora eu gosto de ler livros de histórias antigas, de castelos e fazendas. Também consigo ajudar minha mãe quando ela faz a lista do mercado. Antes eu não entendia a letra cursiva, agora eu entendo", conta.
A evolução também foi percebida dentro de casa. Para os pais Mauro de Sousa e Rosilene da Cunha, a transformação do filho ultrapassou o aspecto pedagógico. Eles revelaram que o trabalho realizado na escola alcançou a autoestima, a convivência social e a confiança para enfrentar novos desafios.
Ao relembrar o início dessa trajetória, o pai destaca que Manuel era uma criança bastante tímida e que tinha dificuldades até mesmo para se comunicar com outras pessoas.
"O Manuel era um menino muito tímido. Hoje ele é outro menino. Aprendeu a ler, mudou a timidez que tinha, brinca, conversa com os amigos e com a família. O Pró-Ler veio para a vida dele como um anjo. Hoje a gente só tem que agradecer toda essa evolução", afirma.
Segundo a mãe, Rose, os primeiros resultados apareceram rapidamente. Em poucos meses, a família percebeu que Manuel não apenas estava aprendendo a ler, mas também compreendia aquilo que escrevia e passava a participar de forma mais ativa da vida escolar.
"Em dois meses a mudança já era visível. Ele começou a ler, a escrever, entendia o que estava escrevendo e passou a ajudar os colegas que tinham dificuldade. Era um menino que não falava com ninguém e, de repente, começou a participar, fazer amizades e querer estar em tudo o que a escola oferecia. Ele terminou o projeto como o melhor aluno da turma", relembra.
Para a família, a experiência vivida com o Pró-Ler também deixou uma mensagem para outros pais que enfrentam desafios semelhantes. Mais do que acompanhar o desenvolvimento dos filhos, eles acreditam que o envolvimento da família e a confiança no trabalho realizado pela escola fazem toda a diferença no processo de aprendizagem.
"Acreditar no nosso filho foi a peça-chave. E acreditar na escola também. Tudo o que a escola ofereceu nós abraçamos. Família mais escola é igual a resultado. Essa é a maior lição que ficou para nós", conclui Rose.