O auditório do Parque Hotel recebeu, neste domingo (16), o encontro “Verso livre, pensamento vivo: do rap às narrativas ancestrais”, que reuniu Gabriel O Pensador e o rapper indígena Owerá na programação da quinta edição da Feira Literária de Araruama (FLA Araru 2026). Quatro anos depois de sua primeira participação no evento, Gabriel voltou à feira para conversar com o público sobre literatura, música, escrita e o potencial do verso como ferramenta de consciência e transformação social.
O encontro também colocou em evidência a cultura indígena e a utilização do hip-hop como instrumento para ampliar a visibilidade de diferentes povos e narrativas. Gabriel contou que já havia encontrado Owerá anteriormente, durante o Grammy Latino, mas que os dois ainda não haviam tido a oportunidade de conversar.
“Foi uma experiência enriquecedora. Eu já havia encontrado o Owerá anteriormente, por ocasião do Grammy Latino, mas não tínhamos tido a oportunidade de conversar. Foi muito interessante conhecer sua perspectiva sobre a trajetória no rap e compreender a força da cultura hip-hop como ferramenta para difundir a cultura indígena - não apenas do povo Guarani, mas de outras etnias que necessitam de visibilidade e cujas vozes, muitas vezes, são silenciadas no Brasil”, afirmou.
Para o cantor e escritor, a própria proposta da FLA favorece esse tipo de troca ao aproximar literatura, educação e diferentes manifestações culturais do público.
“A iniciativa da Feira Literária em promover esse debate foi excelente. Valorizo muito esses espaços de troca, palestras e encontros literários, especialmente aqui, onde acompanho o empenho, o capricho e a dedicação de vocês com a educação, algo que pude observar claramente tanto no nosso painel quanto no entusiasmo do público presente”, destacou.
A participação também teve um significado especial pela relação de Gabriel com a literatura. O artista contou que seu interesse pela música foi influenciado ainda na infância pelos professores, pelas aulas de redação e pelas leituras, além de referências musicais que posteriormente se incorporaram à sua produção.
“Para mim, são linguagens indissociáveis; a importância do texto na minha obra é fundamental. Como mencionei, meu interesse pela música nasceu da influência dos professores, das aulas de redação e das leituras que fiz na infância, somadas às letras de MPB, rock brasileiro, rap e reggae. Tudo isso se funde como fonte de conhecimento e inspiração”, explicou.
Segundo Gabriel, a música também pode funcionar como uma ponte para aproximar o público dos livros e estimular o interesse pela leitura.
“Hoje, através da música, busco incentivar tanto os mais jovens quanto os adultos a reconhecerem a relevância da leitura. Como também sou escritor, utilizo a música como um elo pedagógico, reforçando que literatura e composição musical caminham juntas em uma troca constante”, afirmou.
O retorno à FLA Araru exigiu uma adaptação na agenda do artista. Gabriel estava em Portugal para uma apresentação e reorganizou a viagem para conseguir participar do encontro em Araruama.
“Recebi o convite com muita alegria, embora tenha ficado preocupado inicialmente, pois havia a possibilidade de eu não conseguir comparecer. Felizmente, como o meu show em Portugal aconteceu na sexta-feira e não no sábado, consegui pegar um voo imediatamente após a apresentação, mesmo sem dormir. Viajei durante todo o sábado e cheguei a tempo”, contou.
Durante a conversa, Gabriel também compartilhou com o público novidades de sua carreira, entre elas o lançamento de um novo álbum e uma turnê comemorativa de 33 anos de trajetória. O artista ainda citou o lançamento recente de um single em parceria com Mano Brown.
A participação de Gabriel O Pensador e Owerá integrou a programação de Encontros Literários da FLA Araru 2026, que reúne escritores, artistas e diferentes vozes da cultura em debates sobre literatura, educação e sociedade.