A educação como instrumento de transformação social e de redução das desigualdades foi o tema do encontro que reuniu o desembargador Paulo Rangel, o procurador Humberto Motta e o defensor público Marcelo Machado, neste sábado (15), na Tenda Principal da FLA Araru. A conversa teve mediação do jornalista, editor e tradutor Bruno Dorigatti.
Os participantes discutiram o papel das instituições, da literatura e das políticas públicas na formação de cidadãos críticos e na construção de uma sociedade mais justa. A prefeita Daniela Soares, que acompanhou o encontro na plateia, destacou a importância de levar esse tipo de debate para espaços de cultura e literatura.
“Quando levamos esse debate para uma feira literária, aproximamos conhecimento e cidadania das pessoas. A FLA é também um espaço de reflexão, e ouvir pessoas com trajetórias tão diferentes falando sobre o poder da educação reforça a nossa responsabilidade de continuar investindo na formação dos nossos alunos”, afirmou.

Histórias que mostram o poder da educação
O desembargador Paulo Rangel arrancou aplausos do público presente ao compartilhar a própria trajetória. Filho de uma empregada doméstica, contou que, ainda criança, acompanhava a mãe ao trabalho e permanecia em um quarto. Num certo dia, descobriu uma biblioteca na casa. O dono percebeu o interesse dele pelos livros e o ensinou a ler.
“Aprendi a ler com cinco anos e, depois entrei numa escola. A partir daí, os livros passaram a fazer parte da minha vida. Trabalhei como porteiro, vendedor e policial civil. Depois, fiz faculdade, mestrado, doutorado e pós-doutorado. Fui advogado, promotor de Justiça e desembargador”, contou Paulo.
Além de ressaltar a importância da educação e da leitura, ele também defendeu as cotas sociais como instrumento de redução das desigualdades e ampliação de oportunidades para quem tem menos acesso ao ensino superior.
“Não acredito em mudança se não for através da educação. Os livros salvaram uma vida, e essa vida foi a minha. Eu tive a oportunidade de encontrar a leitura e, a partir dela, construir uma trajetória que talvez ninguém imaginasse para aquele menino”, afirmou.

Educação como agente de transformação
O procurador Humberto Motta destacou a relação entre educação e formação do caráter. A partir de sua experiência profissional e como professor, relatou ter acompanhado de perto as dificuldades enfrentadas por estudantes em situação de vulnerabilidade e ressaltou que, para muitas crianças e adolescentes, a escola representa muito mais do que um espaço de aprendizagem.
“A educação não é apenas a transmissão de conhecimento. Ela participa da formação do caráter, da construção da cidadania e da própria perspectiva de futuro. Em muitos lugares, a escola é também onde a criança encontra alimentação, acolhimento e uma oportunidade que talvez não encontrasse em outro espaço”, destacou o procurador.

Leitura, tecnologia e olhar humano
O defensor público Marcelo Machado falou sobre sua relação com os livros e destacou que, embora a tecnologia seja uma importante ferramenta de apoio, ela não substitui a dimensão humana da educação.
Segundo ele, o contato com a literatura também influencia a maneira como as pessoas se expressam e compreendem o mundo. Marcelo chamou atenção para as dificuldades de leitura enfrentadas atualmente por muitos jovens e destacou a importância de iniciativas como a FLA para aproximar crianças e adolescentes dos livros.
“A tecnologia está aí para nos auxiliar, mas nada substitui o olhar humano. O nosso vocabulário é também um reflexo daquilo que lemos. Por isso, uma feira como esta é tão importante: ela cria oportunidades para que os jovens tenham contato com os livros, com os autores e com o prazer da leitura”, ressaltou o defensor.

Ao final, os três participantes reforçaram que educação e a leitura são instrumentos fundamentais para ampliar oportunidades e formar cidadãos capazes de participar de maneira crítica e consciente da sociedade.