Na quadra da Escola Municipal Agostinho Franceschi, no segundo distrito de Araruama, o vôlei passou a fazer parte da rotina de quase 30 estudantes. Entre quem está tendo os primeiros contatos com a modalidade e quem já começa a ganhar confiança nos saques, manchetes e levantamentos, a unidade concentra atualmente o maior número de participantes do vôlei dentro do Arte em Jogo.
A modalidade atende mais de 100 crianças e adolescentes em toda a rede municipal de ensino. O trabalho integra uma proposta mais ampla do Arte em Jogo, que aproxima os estudantes de diferentes práticas esportivas e artísticas. Em outras unidades, o projeto já levou o ensino de música e violão para alunos da Escola Municipal André Gomes dos Santos e transformou o xadrez em parte da rotina dos estudantes do Colégio Municipal Honorino Coutinho.

Na Agostinho Franceschi, quem acompanha de perto essa relação dos alunos com o esporte é Andressa Barreto, professora de Educação Física. As turmas, segundo ela, reúnem estudantes com experiências bastante diferentes. Alguns chegam sem nunca ter praticado vôlei e até com receio de participar.
“Muitas crianças chegam para mim e falam: ‘Tia, eu não vou fazer vôlei porque eu não sei’. Aí eu falo: ‘Mas aqui nós estamos numa aula, que é para aprender’. Então, a gente começa no B-A-BA. E aí eles vão se animando mais. Cada dia que eles vão aprendendo, querem mais e vêm com essa sede”, conta Andressa.
As aulas trabalham os fundamentos da modalidade de maneira progressiva e com atividades dinâmicas. Para a professora, parte da satisfação está justamente em acompanhar alunos que começaram sem conseguir executar movimentos básicos e que, pouco a pouco, passaram a jogar com mais segurança.
Essa evolução, para Andressa, não aparece apenas dentro da quadra. A professora conta que também percebe mudanças na atenção e no comportamento de alguns participantes, inclusive entre estudantes que costumam apresentar mais dificuldades de disciplina em outros momentos da rotina escolar.
“Tem alunos que, em sala de aula, dão um pouquinho de trabalho para os professores, mas aqui são 100% disciplinados. Eu vejo uma melhoria até na questão de atenção deles em relação a conciliar estudo e esporte”, afirma.

Um dos estudantes que encontrou espaço no projeto foi Alessandro Rian, de 15 anos, aluno da turma 900. Antes do vôlei, ele já praticava jiu-jítsu e acompanhava partidas da modalidade pela televisão, mas foi dentro da própria escola, durante as aulas de Educação Física do ano passado, que jogou pela primeira vez.
“Foi bom para caramba. Eu gostei de fazer, gostei de ajudar meus amigos e meus amigos também me ajudaram. u gostei, vou continuar jogando. A professora falou que podemos ter amistoso de vôlei contra outras escolas, aí a gente está treinando para chegar na hora, competir e vencer”, disse Alessandro.