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Roda de Conversa com Daniel Munduruku e Arassari Pataxó destaca identidade, território e resistência indígena

Publicado em 23/05/2025 às 20:14 907 Visualizações

A primeira palestra da edição 2025 da Araruama Literária começou com uma roda de conversa com com Daniel Munduruku e Arassari Pataxó, com o tema “Identidade e território: povos silenciados pelo colonialismo/eurocentrismo”, mediada por Thayná Álvares.

Daniel Munduruku é escritor e professor paraense e autor de 54 livros. 

Arassari Pataxó é cacique e artista plástico, graduado em direito e ativista dos povos indígenas. Ambos


compartilharam saberes ancestrais, reflexões profundas e denúncias sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelos povos originários.

Arassari Pataxó abriu o encontro destacando a importância de ocupar espaços de fala e agradeceu o convite e a iniciativa da prefeita Daniela Soares por trazer povos indígenas para debaterem na feira literária.

Ele abordou questões urgentes como os conflitos em sua aldeia, o racismo institucional e o impacto da exploração mineral: “

A minha aldeia está em conflito. Perdemos quatro lideranças Pataxó. Isso é resultado do racismo institucional e do descaso com os nossos territórios", disse, emocionado. 

Arassari também denunciou o avanço da exploração mineral sobre terras indígenas e os impactos ambientais e sociais dessa prática: “Os maiores minerais estão em territórios indígenas. Agora dizem que precisam tirar os indígenas para explorar essas riquezas. Mas para nós, a verdadeira riqueza é manter a floresta em pé.”  

Além das denúncias, ele trouxe reflexões sobre a educação e os saberes tradicionais: “No meu povo, a criança participa de tudo. É fundamental estar com a família. A ancestralidade fortalece as nossas crianças.”

Daniel Munduruku reforçou a importância da literatura indígena como instrumento de resistência e aproximação. E ressaltou a participação dos avós na formação das crianças indígenas. "Os avós são oráculos vivos. São eles que ligam o passado ao presente contando histórias.” Ele também destacou a relação dos povos originários com a infância e a natureza: “A criança indígena já é tudo. Não perguntamos o que ela será quando crescer, cabe aos adultos prepararem o caminho.”

O escritor, que já publicou livros no Brasil e no exterior,  questionou sobre a educação ministrada nas escolas brasileiras. “Será que os professores estão preparados para trabalhar a questão indígena nas escolas?” A pergunta, incisiva, levantou reflexões sobre o cumprimento da legislação que prevê o ensino da história e cultura indígena nas escolas e sobre o racismo estrutural ainda presente no sistema educacional.

“A infância não vivida vai cobrar depois. A creche é uma ideia desumanizadora. A mãe deveria poder estar com o filho, como acontece nas nossas comunidades,” afirmou Daniel, chamando atenção para os contrastes entre a educação indígena e o modelo urbano.


Na última parte da palestra, ambos reforçaram a urgência de combater o colonialismo contemporâneo e reconhecer a riqueza dos saberes tradicionais. 


O encontro reafirmou o papel fundamental dos povos indígenas na construção de uma sociedade mais justa, na preservação do meio ambiente e na valorização da diversidade cultural por meio da literatura e da educação.

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