“Eu quase nunca saio de casa. Mas quando vi que teria um show na orla, senti que precisava viver isso de perto. E vivi. Foram quatro dias maravilhosos."
A declaração na voz de Antônia Maria Nunes Lopes do Nascimento, logo no primeiro dia do Record Sunset Rio, ganhou força e emoção ao longo dos dias.
Moradora do distrito de São Vicente, Antônia esteve presente em todos os dias do evento. Sempre sorridente, sempre animada, sempre ali, bem na frente do palco, na área reservada para Pessoas Com Deficiência (PCDs).
Acompanhou colada à grade, na frente do palco, todos os shows da comemoração pelo aniversário de 167 anos de Araruama. Nem mesmo a chuva conseguiu afastá-la.
Ao lado do marido, Cláudio Belchior, ela fez questão de acompanhar tudo de perto, mostrando que alegria e vontade de viver falam mais alto do que qualquer obstáculo.
Antônia e Cláudio vieram de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e moram em Araruama há cinco anos. Para ela, os quatro dias do Record Sunset Rio foram uma experiência única. Um encontro com a própria felicidade. No último dia, ela nem quis saber de capa de chuva.
"Eu segui o que o Mumuzinho canta: ‘levanta a cabeça e diz… eu mereço ser feliz’”, disse Antônia, sorridente, vibrando e cantando o refrão da famosa música do cantor.
"Eu adorei, me diverti muito. Foram quatro dias inesquecíveis", repetia, com brilho nos olhos, toda molhada de chuva.
Bem ao lado dela, também na área reservada para PCDs, outra cena carregada de emoção. Manuela Nese Barbosa chegou cedo, às 18h30, levando a filha Marina, de 13 anos.
A ansiedade da jovem só parou quando Mumuzinho subiu ao palco. Fã declarada do cantor, Marina, é uma pessoa com Transtorno de Espectro Autista (TEA), e queria ficar o mais perto possível do palco. E conseguiu.
"Saímos de casa já com chuva e chegamos aqui três horas antes do início do show. Mas vê-la feliz, curtindo tudo, fez todo o esforço valer a pena", confessou Manuela.
No outro lado, também encostada na grade, a estudante Brenda Costa, de 18 anos, também não se deixou intimidar pelo tempo fechado. Ao lado do amigo Caio Medeiros, de 20, ela resumiu o sentimento do público presente com bom humor: “O Mumuzinho merece! E vale a gente sair de casa mesmo debaixo de chuva pra ser feliz”.
E a chuva, de fato, não foi motivo para desanimar ninguém. Branca Mariah, de 63 anos, chegou cedo, às 17h.
"Moro aqui há oito anos e nunca vi a cidade tão viva", elogiou.
Ao lado dela, Mara Rúbia, de 67 anos, também mostrou que disposição não tem idade.
"Vim todos os dias. Tenho muito pique", garantiu Mara, que só saiu após a última música.
Já o casal Neide e Ademir Souza Pereira nem precisou ir longe.
"Moramos aqui em frente e descemos todos os dias para acompanhar o evento. Tá tudo muito organizado ", avaliou Neide.
Entre sorrisos, música, chuva e emoção, o Record Sunset Rio mostrou que foi muito mais do que uma sequência de shows. Durante os quatro dias de programação, tudo transcorreu de forma tranquila, com organização, inclusão, parceria e acolhimento.