O segundo dia da 41ª Exposição Especializada do Mangalarga Marchador e da II Etapa do Circuito Estadual de Marcha Picada, no Parque de Exposição Agropecuária, foi marcado não apenas pelo brilho das competições, mas também por uma prática que vem ganhando cada vez mais espaço nas pistas: a fisioterapia dos animais.
Enquanto as fêmeas das categorias Marcha Batida e Marcha Picada encantavam o público em apresentações que mais pareciam desfiles, nos bastidores outro trabalho essencial acontecia: o cuidado técnico e minucioso com a recuperação muscular dos animais.
Antes e depois das provas, éguas como Bela, de apenas 3 anos, campeã da categoria Marcha Picada, passam por sessões de fisioterapia, com movimentos precisos de alongamento do pescoço e das patas, por exemplo. O atendimento faz parte de uma rotina cada vez mais presente nas grandes exposições da raça.
A médica veterinária Sarah Lepsch Quintes, especializada em fisioterapia animal, explica que o cuidado é fundamental para a saúde e o desempenho dos cavalos. “O cavalo de competição é um atleta de alta performance. Ele precisa de preparo físico, acompanhamento e recuperação adequada. A fisioterapia ajuda não só na prevenção de lesões, mas também melhora a flexibilidade e reduz tensões musculares. A Bela, por exemplo, chegou dolorida da competição, e é normal, agora ela vai se recuperar com a ajuda dos exercícios”, destacou.
A vitória da égua foi comemorada pelos criadores, vindos de São Gonçalo. “É um orgulho enorme viver esse momento. A Bela é fruto de muito trabalho e dedicação. Ver ela campeã é emocionante”, afirmou Thiago Dias Santos de Souza.
Já Luiz Otávio da Silva Freitas ressaltou o cuidado diário com a égua. “A preparação vai muito além da pista. Existe toda uma equipe envolvida, e a fisioterapia faz parte desse processo. O bem-estar dela vem sempre em primeiro lugar”, disse.
Enquanto Bela recebia os cuidados, outros animais seguiam na pista sob avaliação criteriosa dos jurados, que analisaram, por exemplo , musculatura, estrutura, andamento, postura e feminilidade, características determinantes no padrão da raça.
Ao todo, mais de 240 animais participam da exposição, com criadores do Estado do Rio de Janeiro, além de representantes do Espírito Santo e de Minas Gerais. Além de impulsionar o setor agropecuário, o evento movimenta a economia local e oferece entretenimento ao público, com barracas de comidas e shows de artistas locais no período da noite.
A prefeita Daniela Soares destacou a relevância do evento e a qualidade das provas. “ Essa excelência que vemos na pista é fruto do trabalho sério de grandes criadores da nossa cidade e de toda Região, temos inclusive animais que vieram de outros estados. Um destaque é o Bruno Greg, do Haras Rodeio, que é o maior criador de Marcha Picada do Rio, e leva o nome de Araruama para todos os cantos do país, assim como os criadores da nossa cidade que tem muita qualidade nos seus planteis”, afirmou.
Reconhecido como uma das principais raças do país, o Mangalarga Marchador é símbolo de resistência, beleza e conforto na montaria, destacando-se nas modalidades Marcha Picada e Marcha Batida. A profissionalização dos cuidados, incluindo acompanhamento veterinário e fisioterapêutico, reforça o nível técnico das competições e o compromisso com o bem-estar animal.
O secretário municipal de Agricultura, Abastecimento, Pesca e Proteção Animal, André Mônica, também ressaltou o impacto positivo. “Receber criadores de diferentes estados mostra a credibilidade do nosso parque e do nosso município. É um evento que une desenvolvimento econômico e valorização do setor agropecuário”, pontuou.
A programação totalmente gratuita segue até sábado, 28, quando acontecem os julgamentos dos cavalos castrados nas modalidades Marcha Picada e Marcha Batida, além dos Grandes Campeonatos da Raça, que reúnem os vencedores das categorias anteriores para consagrar os grandes destaques desta 41ª edição.