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FLA Araru amplia debate sobre fake news e reforça importância da educação midiática

Encontro reuniu especialistas para discutir desinformação, responsabilidade nas redes sociais e caminhos para identificar conteúdos falsos no ambiente digital.

por Filipe Carbone Publicado em 15/08/2026 às 19:00 37 Visualizações

A FLA Araru 2026 abriu espaço para um dos debates mais urgentes da atualidade ao reunir profissionais das áreas de comunicação, educação e direito para discutir os impactos das fake news na vida das pessoas. 

O encontro abordou os desafios provocados pela velocidade das redes sociais, a dificuldade de conter informações falsas depois que começam a circular e a importância da educação midiática para formar cidadãos mais críticos.

A relação entre literatura e leitura crítica também ganhou espaço no encontro, que foi mediado pelo escritor e curador, Omar Salomão.

A superintendente de Comunicação de Araruama, Ilziane Launé, utilizou 1984, de George Orwell, para refletir sobre a construção de realidades paralelas e sobre como as pessoas podem passar a acreditar em uma informação mesmo quando a própria realidade oferece elementos para contestá-la. 

A palestrante defendeu a retomada do hábito de questionar aquilo que chega pelas redes antes de assumir uma informação como verdadeira. 

“Em um cenário em que uma informação falsa pode alcançar milhares de pessoas em poucos minutos, ensinar a ler criticamente também é uma forma de proteção. A literatura nos mostra justamente a importância de questionar, interpretar e buscar diferentes perspectivas", ressaltou.


O encontro também abordou a responsabilidade de quem produz ou compartilha conteúdos falsos. A presidente da OAB Araruama, Rosana Jardim, chamou atenção para publicações construídas para provocar emoções como raiva e indignação e estimular o compartilhamento imediato. 

"A internet não é um ambiente sem regras e que normas das áreas cível e criminal podem ser aplicadas em situações envolvendo conteúdos publicados no ambiente digital", ressaltou Rosana.

Durante a discussão, os participantes destacaram que a transformação digital alterou profundamente a rotina da comunicação. Se antes jornalistas tinham mais tempo entre a apuração e a publicação de uma notícia, hoje informações circulam praticamente em tempo real. 

"Hoje, mais do que nunca, precisamos levar esse hábito para o ambiente digital, antes de acreditar ou compartilhar, é fundamental parar, verificar a fonte e entender de onde aquela informação veio. Discutir fake news dentro de uma feira literária é também falar sobre formação, cidadania e responsabilidade", destacou o especialista em comunicação pública e política, Igor Marques.

Nesse cenário, a recomendação apresentada durante o encontro foi priorizar canais oficiais, fontes confiáveis e veículos de comunicação que adotem processos de apuração e verificação antes de publicar um conteúdo.

O debate também mostrou que as consequências da desinformação podem ultrapassar as telas. Foram lembrados episódios relacionados à segurança pública no Rio de Janeiro em que imagens antigas de operações ou acidentes voltaram a circular como se fossem atuais. 

"Informações desse tipo podem interferir diretamente em decisões cotidianas de moradores de áreas de risco, como sair para trabalhar ou enviar os filhos para a escola, transformando o combate à desinformação também em uma questão de responsabilidade social", pontuou o advogado criminalista, Filipe Roulien Guedes.

Outro ponto destacado foi a velocidade com que uma publicação se espalha. Uma informação encaminhada para poucas pessoas pode rapidamente alcançar centenas ou milhares de usuários. 

Mesmo quando quem iniciou o compartilhamento percebe o erro e apaga o conteúdo, as reproduções anteriores continuam circulando, o que torna a prevenção e a checagem antes do compartilhamento ainda mais importantes.

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